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Drauzio Varella recomenda o consumo de leite


Reagindo a um post sobre prevenção da osteoporose, publicado na página do Facebook do Dr. Drauzio Varella, uma seguidora reagiu exaltadamente, com um argumento utilizado por muitos que condenam o consumo de leite: "Que tamanho desserviço com a população! Em pleno 2015 ter que explicar para adultos formados que leite de ser humano é para ser humano e leite de vaca é para bezerro. Meu Deus!" 
 
A resposta do Dr. Drauzio, na forma de um post em seu site,  (http://drauziovarella.com.br) foi brilhante! Por isso, resolvi transcrever aqui algumas partes.  
 
Realmente, os seres humanos são os únicos animais que consomem leite na fase adulta, mas existem motivos para isso, que vão além da discussão sobre saúde:  
 
1) desenvolvemos técnicas para domesticação do gado e, assim, conseguimos incorporar o leite animal em nossa dieta; 
 
2) não destinamos o leite à alimentação de outros animais adultos porque ele é considerado muito nobre e seu custo é alto demais para que seja um ingrediente de ração, embora alguns produtores de suínos utilizem soro de leite para a alimentação dos animais.  
 
Segundo o Dr. Drauzio, esses apontamentos são da Dra. Patrícia Blumer Zacarchenco, pesquisadora científica do TECNOLAT-ITAL (Centro de Tecnologia de Alimentos - Instituto de Tecnologia de Alimentos do Estado de São Paulo), que há mais de 18 anos estuda o alimento.  "Quando o filhote se torna adulto, o desmame feito pelas fêmeas das diversas espécies ocorre não porque o leite deixa de ser adequado para a cria, mas sim para que o filhote passe a ingerir outros alimentos. Também serve para poupar energia da fêmea para um novo processo de gestação", explica Zacarchenco.  
 
A mesma lógica pode ser aplicada às pessoas. O leite, mesmo o de origem animal, não deixa de ser nutritivo quando nos tornamos adultos, apenas incorporamos outros alimentos em nossa dieta, tanto por terem outros nutrientes que não estão presentes no leite quanto por aumentarem a nossa capacidade gustativa. "Por mais que exista uma vertente contrária ao seu consumo, o leite traz benefícios para a saúde, sim. Ele ajuda na prevenção da síndrome metabólica, na redução da pressão arterial, na prevenção do diabetes tipo 2 e, claro, da osteoporose, pois quando o assunto é ingestão de cálcio, a bebida ainda é uma das fontes mais importantes", afirma o Dr. Drauzio.  
 
Segundo a Dra. Zacarchenco, embora existam outras fontes de cálcio, como as verduras verde-escuras, essas podem conter fitatos, oxalatos e taninos que diminuem a abosrção do cálcio, o que pode comprometer a quantidade de mineral efetivamente aproveitada pelo organismo. Já o leite, conta com a presença de caseinofosfopeptídeos, lactose e proteínas que facilitam a absorção do cálcio.  
 
O Dr. Drauzio enaltece ainda outras qualidades do leite como: versatilidade (pode ser usado em uma variedade de produtos e receitas) e preço. Ele faz uma comparação bastante interessante entre o brócolis e o leite. Utilizando dados do Instituto de Economia Agrícola do Estado de São Paulo, de fevereiro de 2016, ele mostra que para suprir a necessidade de ingestão diária de cálcio, os brasileiros precisariam comprar quase um maço de brócolis por dia, o que resultaria em um investimento mensal aproximado de R$171,00, enquanto que com o leite o gasto seria pouco mais que a metade dessa quantia, R$91,00. Falando em quantidade de alimentos, seriam necessários o consumo diário de 234g de brócolis, 677g de couve-manteiga, 882g de espinafre ou 250g de sardinha para suprir a necessidade de ingestão de cálcio. Segundo a Dra. Sônia Trecco, nutricionista responsável pelo atendimento ambulatorial do HC-FMUSP, o leite é a melhor opção para compensar a falta de cálcio na dieta.  
 
Segundo o Dr. Drauzio, é na adolescência que se inicia a prevenção contra danos futuros. Nessa fase, a massa óssea está em formação e segue assim até os 20 anos, quando a densidade atinge o pico, Depois, a estrutura começa a enfraquecer. A Dra. Ana Hoff, endocrinologista do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, explica que "no caso de um consumo pobre do mineral, o organismo sacrifica o esqueleto (depósito de 99% do cálcio no corpo humano) para que suas funções sejam mantidas. A retirada de cálcio do esqueleto para suprir sua falta no sangue resulta em perda óssea".  
 
"A intolerância à lactose é levantada por muitos que vilanizam o leite como uma prova de que ele não deveria ser consumido pelos humanos. Embora o organismo passe, inevitavelmente, a produzir menos enzima lactase ao longo do tempo, isso não significa que todos nos tornaremos intolerantes à lactose. Segundo a Dra. Rejane Matar, "o problema é que as pessoas inventaram essa história de que todo mundo precisa tirar o glúten e os produtos lácteos da dieta para emagrecer, enquanto, na verdade, eles só devem ser retirados em casos especiais e realmente confirmados de intolerância". E acrescenta, "e mesmo sendo intolerante, é preciso ter cautela. Quando o paciente tem problemas de intolerância, ela não precisa necessariamente parar de consumir laticínios. Sempre recomendamos fazer um teste, e caso seja positivo, diminuir a porção ingerida. Se ele consumia 3 copos de leite e apresentava sintomas, pedimos que reduza para 2, para 1, e observe como seu corpo reage".  
 
Com relação à qualidade do leite, o Dr. Drauzio mencionou o problema das fraudes, mas explicou que a fiscalização acontece, e é por causa dela que produtos adulterados são retirados do mercado e tomamos conhecimento do que está sendo comercializado. Segundo ele, "questionar a qualidade e a confiabilidade do produto é de extrema importância, e deve ser uma atitude tomada sempre e sem pudor pelos consumidores, em qualquer âmbito. Acompanhar o trabalho das fiscalizações também é salutar, desde que não seja um hábito cego e sem critério". Segundo a Dra. Zacarchenco, "seguir nessa linha de raciocínio é colocar em cheque a confiabilidade de toda a indústria nacional, não apenas a de laticínios ou alimentos." 

fonte: http://www.bebamaisleite.com.br/noticia/drauzio-varella-recomenda-o-consumo-de-leitenbsp